sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

- quando foi que eu entrei pra sua história?

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A vida é uma coisa engraçada. Ontem peguei um caderno antigo e li partes de textos que eu mesma escrevi há três, quatro anos. Foi divertido relembrar situações já em partes esquecidas, mas, além do alto nível de drama em quase tudo o que continha a minha letra, fiquei feliz por perceber que eu mesma não mudei com o tempo.

 É claro que desenvolvi umas poucas qualidades a mais e, digamos, consegui aperfeiçoar alguns defeitos, mas a essência permanece intacta, assim como as principais pessoas com as quais me relacionei ao longo dos anos.

Fiquei com pena de mim mesma ao ver quantas horas perdi escrevendo sobre queridos e queridas que simplesmente não valiam a pena, mas hoje sei da importância dessas dificuldades e consigo olhar pra trás sem sentir vontade de fazer grandes alterações. Em meio a cartas e cartões recebidos nestas 23 primaveras, percebi que a maior parte dos destinatários continua ao meu lado, enquanto outros não foram além das palavras, ainda que seu eco até seja gostoso de se ouvir de vez em quando...

As situações mudaram e, é claro, parte de mim se deixou transformar com elas. Mesmo assim, sempre fico com a sensação de que o tempo é, sim, capaz de superar tudo e de que não importa quantos séculos passem e quantas vezes o cenário mude: os personagens sempre serão os mesmos, ainda que com papeis diversos. Ainda bem! Não imagino minha história, em qualquer época que seja, escrita por mãos diferentes. Nada mais lógico, afinal... tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. :)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

maktub


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♫ Tempo, tempo, tempo, tempo... és um dos deuses mais lindos... ♪

Apesar de o ano ainda não ter chegado ao fim, esta época é sempre propícia para qualquer tipo de reflexão. O que fiz nesses últimos 12 meses? Quantos sonhos realizei? Quantos corações parti? Quantos caminhos percorri? Quantas pessoas deixei para trás?

Não sei responder a nenhuma dessas perguntas com exatidão, mas posso dizer que trabalhei, que dancei, que sorri, que chorei, que vivi, que sofri. Vi minha irmã se casar, embarquei e desembarquei, pisei na areia e deixei o mar levar pra longe todas as preocupações. Dormi tarde, acordei cedo, tomei chuva, afundei o pé na lama e depois lavei pra deixar branquinho. 

Fui ao cinema, andei de bicicleta, fiz yoga, ganhei no bingo. Vi pessoas queridas se afastarem lentamente, perdendo-se na névoa do passado, e o destino se encarregar de colocar mais uma vez na minha vida grandes amigos, desenhando, assim, um futuro muito mais feliz. Fui ao karaokê, brinquei de amigo secreto, joguei bola, aproveitei a piscina. Passei frio, calor, nervoso e ansiedade. Tive saudade, tive medo, tive vontade e tive esperança. Li, escrevi, falei, desprendi. 

Vi o Corinthians conquistar o mundo no Japão e, do lado de cá do planeta, empatar com a Portuguesa em pleno Pacaembu. Fui anfitriã, hóspede, turista, assessora de imprensa, conselheira, ovelha negra. Perdi tempo com besteira e depois desejei poder voltar e fazer tudo de novo. Chorei de saudade na plataforma do trem e no check-in do aeroporto e aprendi que as pessoas não mudam só por estarem longe dos nossos olhos. 

Gastei dinheiro, cortei o cabelo, abusei da comida e descobri que não tenho vocação alguma para o videogame. Ri até perder o fôlego, passei raiva com o metrô, fiquei de mau e fiz as pazes com o Universo. Senti alívio, tive sonhos misteriosos e sobrevivi a um suposto fim do mundo. Descobri que para se curar de alguma coisa não é preciso mais do que energia e consciência tranquila e que afinidade é uma sensação inconfundível, intransferível e que, quando ausente, consegue deixar um coração inteiro em branco.    

Procurei fotos antigas (e outras não tão antigas assim) só pra viver de novo aquele momento e me perder nos mesmos sorrisos. Descobri que a ajuda às vezes vem de quem você menos espera e que, apesar de doloroso em alguns casos, é preciso praticar o desapego com tudo o que nos cerca: roupas, amigos, amores, sentimentos, lembranças...

Vi mais televisão do que devia, me envolvi mais do que podia e comprovei o que todos já sabiam: aprender árabe não é pra qualquer um! Reclamei do árbitro, gritei com os vizinhos (hihihi) e, vale dizer, não fui nada paciente. Descobri - ou melhor, redescobri - que as palavras têm mais força do que imaginamos e que - céus! - o pensamento vai ainda além.

Agitado, intenso, confuso e imprevisível, 2012 foi, antes de tudo, uma bênção. Chuqran!

domingo, 29 de abril de 2012

salaam aleikum

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"Meu coração e meus cinco sentidos se achavam a quatro metros de mim mesmo: na figura daquele homem de mais de um metro e oitenta de estatura que ali estava agora, encurvado e maltratado." 



Aproveito este tranquilo domingo, 29 de abril, para escrever sobre algo que verdadeiramente mexeu comigo. Terminei, há algumas semanas, a leitura do primeiro volume da coleção Operação Cavalo de Troia. O que começou como mera curiosidade - iniciada anos atrás, quando via o livro entre as coisas da minha mãe -  se mostrou uma verdadeira fonte de prazer e conhecimento.

Para aqueles que não sabem sobre o que é a história, trata-se de um suposto projeto da Nasa, executado na década de 1970, responsável por levar dois militares norte-americanos ao passado. Mais especificamente, à última semana de Jesus Cristo na Terra, na Palestina de dois mil anos atrás. 

A expedição se desenrola a partir de um diário escrito pelo major, que percorreu as ruas da Palestina à procura de Cristo, seus apóstolos e amigos, assim como dos demais personagens que figuram na Bíblia. Cético, o militar foi escolhido, dentre um numeroso grupo de oficiais dos Estados Unidos, justamente por sua falta de crença e desapego a qualquer religião. 

Ao chegar, rapidamente ganha a confiança e a amizade de Lázaro, homem a quem Jesus tinha ressuscitado poucos dias antes, e sua família. E é na presença destas pessoas que o major se encontra com o Mestre pela primeira vez. Mesmo rodeado por muitas pessoas, Cristo se levanta e caminha até sua direção, colocando Suas mãos em seus ombros e dizendo "Sê bem-vindo" com um sorriso. Após este primeiro contato, o militar confessa ter sentido todo o seu corpo trêmulo, indicando a enorme força energética que  emanava daquele Homem.

Com o passar dos dias, o oficial se mantém lado a lado com o Rabi da Galileia, ouvindo Seus ensinamentos e desvendando alguns mistérios de sua fascinante personalidade. Cada vez mais atraído por tudo o que Ele diz, o major vai deixando sua descrença para trás, abrindo espaço para uma fé jamais imaginada. Sua mente, antes dominada pela ciência, passa a concordar com cada palavra dita pelo Mestre e seu coração indica um desejo ardente de acompanhá-Lo a qualquer lugar.

Munido com a mais alta tecnologia, o que lhe permite gravar, analisar e recolher dados do passado para, depois, examiná-los em "seu tempo", o norte-americano tem como um dos objetivos de sua missão a triste tarefa de ficar próximo ao Cristo também no momento de sua captura, julgamento e crucificação, verificando - até perto demais - todo o Seu sofrimento. 

Exercitando toda a parcialidade da qual tenho direito, considero este livro como um dos mais tristes do mundo. É impossível não se deixar abater pelas torturas e pela injustiça que o Rabi sofreu. Mais difícil ainda é imaginar uma legião de pessoas torcendo pela morte de alguém cujo pecado foi pregar o bem e a paz. 

É claro que o livro é muito mais complexo e emocionante do que este simples resumo que escrevi. Também tenho perfeita noção da possibilidade de que nada disso tenha acontecido, sendo fruto apenas da rica imaginação de um escritor espanhol. Ainda assim, sinto-me na obrigação de partilhar com vocês o meu desejo de acreditar nesta incrível experiência. Por quê? Porque acreditando em sua veracidade, é como se eu também estivesse perto Dele. É como se eu também estivesse presente em todas as suas pregações e, a partir disto, pudesse usar seus conceitos e parábolas em meu próprio benefício.

Desde que li a última página do livro, me pego pensando Nele e em todas as Suas grandes ações. Será que, hoje, as pessoas saberiam compreendê-Lo? Como seria abraçá-Lo ou ouvi-Lo falar? Todas as noites, antes de cair no sono, peço a Deus que me deixe sonhar com Ele. Só um pouquinho. Só pra matar a saudade.

"E pelas três horas e trinta minutos, depois de beijar o solo rochoso da cripta, deixei o horto de José de Arimateia. Os soldados da Fortaleza Antônia ali continuavam, desmaiados, como testemunhas mudas da mais formidável notícia: a ressurreição do Filho do Homem.

Pelas cinco horas e quarenta e dois minutos daquele domingo de glória, 9 de abril do ano 30 de nossa era, o módulo decolou ao nascer do Sol. Ao voltarmos para o futuro, uma parte do meu coração ficou para sempre naquele tempo e naquele Homem, a quem chamam  Jesus de Nazaré. "

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A gente quer ser forte pra quem?



And I'm gonna miss you
Like a child misses their blanket
But I've gotta to get a move on with my life
It's time to be a big girl now
And big girls don't cry

(Fergie - Big girls don't cry)



A minha irmã, hoje, tornou-se uma mulher casada. Uma senhora de respeito, como disse a minha avó, em tom de brincadeira, durante a festa de comemoração. Foram pouco mais de dois anos de noivado e dias incansáveis, mas finitos, de preocupação com o apartamento que parecia que nunca ficaria pronto. Eram móveis entregues nas datas erradas, demora por parte dos pedreiros, sábados perdidos nas lojas de Pinheiros e do shopping D, rios e rios de dinheiro que voaram pelos ares na mesma velocidade com que o Corinthians toma gol em jogo válido pela Libertadores.

Ela e o noivo, oficialmente transformado em meu cunhado, batalharam bastante para conseguir pintar cada parede, preencher com piso cada quarto e seguir em frente, mesmo que uma série de problemas insistisse em aparecer pelo caminho. De janeiro de 2010 para cá, muita coisa mudou para melhor, especialmente no que diz respeito à vida profissional de ambos. Afinal, se é pra algo dar certo, não tem jeito, como a minha mãe costuma dizer.

Sendo o mais sincera possível, fiquei muito feliz pelo casamento, muito embora eu admita, com lágrimas nos olhos, que eu vá morrer de saudade de conversar e rir e chorar e imitar desenhos da Disney com ela antes de dormir. Não sei como vai ser não a ver mais sentada no sofá, jantando em frente a televisão, ou ouvi-la contando sobre o dia enquanto toma banho e sempre se impressionar com o fato de que, não importa o quão irritada ela esteja, alguma parte da história sempre vai ser engraçada.

São 21 anos e quase dois meses de convivência diária, de divisão de quarto, mesmo, então eu acredito que essa saudade seja saudável, necessária até. Ainda assim, o meu lado capricorniano e orgulhoso - talvez seja esta a palavra - não me permitiu sofrer na frente de ninguém, o que me faz perguntar, pela trigésima oitava vez apenas neste ano: a gente quer se mostrar forte pra quem?

Eu tenho este sério problema de esperar todos dormirem ou me trancar no banheiro para deixar a tristeza molhar meu rosto. Por quê? Boa pergunta. Será que se a gente manifestasse mais frequentemente as nossas emoções as coisas não seriam mais simples ou, ao menos, pareceriam menos importantes? Há de se concordar que chorar, sentado de frente para o vaso sanitário e sufocando os soluços com as mãos, é algo desolador, senão terrivelmente solitário. Ser consolado não é bom? Esta resposta eu tiro de letra, pois a pessoa que mais fez isto comigo foi a minha irmã. A Bibi. A Bi. A Bri. A Bika. A imitadora-oficial-de-todas-as-falas-de-todos-os-desenhos-do-mundo.

Aproveito para deixar aqui meus parabéns e pedir pra Deus cuidar de vocês bem direitinho, do mesmo jeito que Ele vem fazendo ao longo de todos esses anos. Eu te amo, Bi. Você esteve comigo nos melhores e nos piores momentos desta minha vida recheada de altos, mas de inúmeros baixos também. O fato de que, agora, você mora em um outro lugar não me faz duvidar, de forma alguma, que esta parceria ainda vai longe, tão longe que nem todas as reencarnações do mundo poderão anular. Ou mudar. Ou sequer chegar próximo disto. Mazal tov!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

- de agora em diante


O paraíso terreno está onde eu estou.
(Voltaire)



Mais cedo ou mais tarde, todas as pessoas vão passar por fases ruins. É o emprego que não chega, o príncipe que não dá as caras, o tempo que passa rápido demais, a saúde que fraqueja. Há dias em que parece que a gente carrega o mundo nas costas. E parece que ninguém percebe.

Como humanos, nós estamos suscetíveis aos mais variados tipos de problemas e imprevistos. Constantemente. Eles estão aí, à espreita, para que nós possamos aprender lições valiosas, o que talvez não acontecesse se nossa vida fosse um mar de rosas.

Perder um ente querido pode nos mostrar a importância do momento presente. Do agora. Pode nos estimular a pedirmos desculpas, a demonstrarmos afeto, a pararmos com essa mania de Scarlett O'Hara (de "E o vento levou...") de deixarmos para nos preocupar com um problema amanhã e só amanhã. Bobagem. O amanhã não pode ser encarado como uma certeza embrulhada em papel colorido. O amanhã talvez exista. Talvez não. Quem sabe? O seu problema de hoje talvez tenha uma solução muito mais simples do que você possa imaginar. O que não te deixa dormir hoje talvez esteja relacionado com algo bom, que fará toda a diferença no seu futuro. Vale a pena deixar para resolver isso mais tarde? Mês que vem, será?

Saber que o seu organismo abriga uma doença grave pode ser um impulso para que, a partir de hoje, você se transforme em uma pessoa melhor, independente de quanto tempo ainda reste a você. Já repararam que os filmes que mais tocam as pessoas são aqueles em que as personagens caem na real e percebem o quanto estavam desperdiçando seus dias, relíquias tão preciosas? Por que todo mundo chora assistindo Marley & Eu? Salvo raras exceções - e, a bem dizer, eu não conheço nenhuma -, ninguém gosta de pensar na efemeridade da vida. Nem que seja da vida de um cachorro. Depois de sair do cinema, dá vontade de corrermos pra casa e abraçarmos nosso bichinho de estimação, só pra mostrarmos pra ele o quanto gostamos dele, o quanto ele é importante na vida da gente. Não é assim?

Ter dificuldades para se relacionar com alguém pode ser suficiente para que o cidadão abra os olhos e perceba que o problema não está nas outras quase 7 bilhões de pessoas. Nem todos os livros de autoajuda do mundo são capazes de ajudar alguém que seja incapaz de mudar. Mudar não só pelo outro, não. Mudar por si mesmo. A gente primeiro cuida do nosso jardim; as borboletas vêm depois. Conheço muita gente por aí que tem medo de mudanças. Medo do desconhecido, medo do burburinho que isto possa gerar. Se o que você enxerga na frente do espelho te deixa feliz, o que o resto do mundo tem a ver com isso? Se você consegue encostar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente durante a noite, não há maldade que te atinja. Se você consegue sorrir para a garçonete e agradecer o suco sem açúcar que ela te trouxe, não há alguém que resista. Não há nada mais bonito. Gentileza nunca é demais.

O planeta agradece por cada boa ação que você fizer. É um ciclo. É involuntário. É contagiante. Você se sente bem por ajudar alguém, alguém se sente bem por ser ajudado por você. Não custa nada. Além disso, lá de cima, sempre existe alguém que te observa. Que te dá forças. Que te protege. Se as coisas parecerem difíceis, peça ajuda. Mentalize ajuda. Ofereça ajuda. E reze. Reze muito. Reze por você, pela sua família, pelo mundo.

Fica a minha sugestão:

Oração a Maria

Meiga filha do Eterno Pai, amparai aos que peregrinam os rincões inferiores da vida, para que neles aflore o desejo de Conhecimento, Certeza e Bondade, deixando de parte as idolatrias, os paganismos, os ritualismos e todas as formas inferiores de culto espiritual.


Anjo tutelar das legiões que socorrem nas trevas e nos lugares de dor, atendei ao clamor daqueles que, arrependidos, anseiam reencontrar o Caminho da Verdade que livra.

Doce Mensageira do Amor, derramai vossa ternura maternal sobre os corações aflitos, para que se elevem às alturas do trabalho redentor.


Senhora Eleita, inspirai o sentimento da Verdade, do Amor e da Virtude nos corações de todos aqueles que tendem aos desatinos do mundo, para que não desçam aos lugares de pranto e ranger dos dentes.

Levantai, ó Senhora, dos abismos tenebrosos, a todos quantos erraram por causa dos fanatismos religiosos.

Intercedei, ó meiga estrela, por aqueles que, esquecidos da Lei e olvidados de Jesus Cristo, mergulharam nos lugares de sombra e de dor.

Ó ternura, ponde sentimento de pureza em todos os corações femininos, para que se convertam em verdadeiros anjos guardiães.

Sede a luz, ó Maria, daqueles olhos que não podem ver.

Amparai, ó Senhora, aos que fraquejam ao longo dos caminhos da vida.

Ouvi, ó Símbolo das Mães, a voz dos que não podem falar.

Enxugai a lágrima, ó meiga irmã, daqueles que padecem falta de misericórdia.

Dominadora de paixões, sede o anjo guardião daqueles que temem resvalar nas vielas do pecado.

Consoladora dos aflitos, ungi com o Bálsamo do Amor aos que se encontram de coração angustiado.

Guiai os passos, ó doce amiga, dos que tendem a desanimar em face das torturas do mundo.

Depositai, ó Maria, em todos os corações, o sentimento de igualdade perante as leis que regem o Universo infinito.

Conduzi ao pórtico da Verdade, ó candura, a quem se encontrar perambulando pelos caminhos da inverdade e do crime.

Envolvei com o vosso azulino manto, ó Maria, a todos aqueles que procuram as verdades eternas, perfeitas e imutáveis de Deus, através da Divina Modelagem de Jesus Cristo.

Apontai, ó luminosa estrela, ao Testamento da Moral, do Amor, da Revelação, da Sabedoria e da Virtude, para que todos os filhos do Altíssimo encontrem, de uma vez para sempre, os braços abertos do Divino Amigo.


sábado, 24 de setembro de 2011

- we ♥ the subway

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Ainda que as circunstâncias influam muito sobre o nosso caráter, a vontade pode modificar as circunstâncias em nosso favor.
(Stuart Mill)


Como boa paulistana, sou usuária do metrô. Esporadicamente, pelo menos por enquanto. Há alguns dias, fiquei zanzando para lá e para cá e praticamente cruzei todos os pontos desta linda e lotada cidade.

Entre 8h e 18h - com algumas pausas, é claro - eu estive amassada, apertada, entalada e espremida em grande parte das estações. O trem chega e há um número esmagador de pessoas na plataforma, esperando as portas se abrirem para pularem para dentro como se disso dependessem as suas vidas.

Os coitados que estão na parte de dentro prendem o fôlego, se agarram em suas bolsas, nas bolsas alheias e se fundem, tornando-se um grande e mal cheiroso organismo vivo. Apesar de que a ideia seja conseguir espaço em um lugar já superlotado, recebemos pisões nos pés e tapas discretos de quem queria, simplesmente, que você - e todo o mundo - desse o fora dali. São cotovelos apoiados, sem nenhuma cerimônia, em nossas costas, unhas com esmaltes descascados presas como garras nas nossas roupas e nos nossos braços, narizes fungando e variados e incontáveis vírus passeando livremente naquele ambiente fechado.

O trem para. O trem anda. O trem alterna entre um sacolejar brusco e um andar lento, quase cômico. Trajetos curtos se transformam em jornadas intermináveis. Em cada fim de tarde, tudo o que as pessoas querem é sumir daquelas estações e esquecer aquela voz robótica, às vezes inaudível, às vezes ensurdecedora, que manda, quase com ironia, os usuários desembarcarem na Sé pelo lado esquerdo.

Se os metrôs são a solução mais prática para que o trânsito de São Paulo dê uma trégua, tudo indica que as concessionárias vão continuar cheias e, a marginal, congestionada. O que se ganha em tempo indo do Tucuruvi à av. Paulista, com uma baldeação deliciosa na Paraíso, se perde em paciência e bom humor. Isto é fato.

Tudo bem, a natureza agradece por cada automóvel que não sai da garagem. Eu sei. Mas nós agradeceríamos tanto quanto ela se, em meio a tanto stress, não tivéssemos que lidar com insetos gigantes que cismam em sobrevoar perigosamente as nossas cabeças ou com vômitos que se espalham vagarosamente pelo chão de borracha dos trens, deixando no ar uma mensagem que diz tudo, exceto seja bem-vindo.

Não sei prever se estas novas linhas que o governo tão orgulhosamente apresenta vão colaborar em alguma coisa com esta multidão que se bate, se empurra e pragueja - mental e verbalmente - todos os dias. Entretanto, tenho certeza de uma coisa: para cada minuto que você se sentir no auge da exaustão, aparecerá um velhinho ou uma grávida querendo ocupar o seu assento.

Deem preferência.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

- aconteceu comigo


Em meio a matérias de faculdade, encontrei este texto, escrito em novembro de 2007. Deveríamos escrever uma crônica, optando - acredito eu - por algum fato marcante que tenha acontecido em nossa vida.

Definitivamente, isto é algo que eu jamais vou esquecer; tampouco vão aqueles que presenciaram esta cena. Esta é apenas uma das muitas vergonhas que já passei nestes 21 anos de existência. Fico feliz por saber que nem todas vieram a público, como a vez em que derrubei o papel com o resumo do meu seminário de História no vaso sanitário. Mas essa já é uma outra história. . .


O episódio do carro

Ainda me lembro bem daquele dia. Estava ensolarado e insuportavelmente quente. Era quase a hora do almoço e todos os alunos da escola pública na qual eu estudava estavam do lado de fora. Suas conversas provavelmente sem nenhuma importância ecoando juntamente com suas risadas.

E assim também estava eu, enquanto andava em direção à saída, em meio a risos com os amigos mais próximos que tinha na época. Eu não podia imaginar que o que estava prestes a acontecer renderia piadas por grande parte de minha vida.

Como acontecia todos os dias, me despedi de todos eles com um estalado beijo na bochecha e murmurei um "até amanhã". Dei uma rápida olhada ao redor e identifiquei facilmente um Palio Weekend vermelho, estacionado em frente à escola. Não pensei duas vezes. Andei em direção ao veículo, abri a porta, sentei no banco destinado ao passageiro, coloquei o cinto de segurança e, juro que até aquele momento, não tinha percebido que havia alguma coisa errada.

Ao me debruçar para cumprimentar a minha mãe, percebi o que tinha passado despercebido aos meus olhos nada atentos. Levou algum tempo para eu compreender. Não era a mulher que me deu ordens a vida inteira que estava sentada ali. Em seu lugar, estava um homem que eu nunca havia visto na vida. Ele era gorducho, tinha barba e os cabelos estavam começando a rarear nas têmporas. Apesar do olhar divertido que me lançou, a sensação que tive foi que o meu rosto estava pegando fogo.

Sem nem pedir desculpas, saí do carro do desconhecido e fui até onde meus amigos estavam sentados na calçada, as mãos sobre o estômago, vermelhos e sem fôlego de tanto rirem. Um deles ainda conseguiu balbuciar, sem muita firmeza na voz, que minha mãe se encontrava do outro lado da rua. Ao me virar para ela, vi que gargalhava, juntamente com um outro conhecido nosso que estava no carro. Entrei no automóvel (certo, dessa vez) e o que ouvi foi um "sabia que você faria isso".

O pior - ou talvez o mais humilhante - foi encontrar o mesmo homem, estacionado no mesmo lugar, algumas semanas depois. Ele olhou para mim e acenou com aquela expressão no rosto de "ei, eu lembro de você".

Ainda sou obrigada a ouvir diversas versões desta história, em muitas das vezes que encontro as pessoas que partilharam comigo este dia. O que posso fazer? Já fiquei com eles o bastante para presenciar algumas de suas gafes também. Um deles já dançou Xuxa enquanto achava que ninguém estava vendo e o outro já derrubou o portão de uma casa sem querer. Essas coisas acontecem. Faz parte da vida vivenciar gafes e faz parte das gafes aparecer na vida de qualquer um.