sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

- a dor e o amor do tempo



Another turning point, a fork stuck in the road
Time grabs you by the wrist, directs you where to go
So make the best of this test and don't ask why
It's not a question, but a lesson learned in time
It's something unpredictable, but in the end it's right
I hope you had the time of your life

(Time of your life - Green Day)


Acho que eu comecei 2016 muito sensível. Talvez tenha sido o fato de ter passado o Réveillon longe dos meus pais e da minha família. Talvez tenha sido a chegada de mais um aniversário (não que isso vá mudar muito as coisas, mas agora meio que começou aquela famosa 'contagem regressiva' para os 30) ou o fato de que agora eu encontrei a versão mais pura do amor, representada pelo lindo presente de Natal antecipado que a minha irmã deu pra mim em forma de sobrinho.

A verdade é que agora, mais do que nunca, percebo o quanto o tempo é importante, o quanto o tempo muda as coisas. Vivemos em função do tique-taque do relógio e, ao mesmo tempo, não percebemos o quanto ele é implacável. O ponteiro nunca vai voltar para uma hora anterior, um minuto sequer; ele foi feito para ir adiante. Sempre. E em nossa vida atropelada, vivida na loucura do transporte público, na fila de um cinema, em uma conversa de WhatsApp, no volume de trabalho, na sobremesa que adoça um dia inteiro, rezamos para que o tempo passe depressa, porque acreditamos que, assim, chegará depressa também o tempo que temos para descansar ou fazer qualquer outra coisa que não seja ficar horas no escritório. Em nossa inocência, rezamos contra o tempo para que 'outro' tempo chegue mais rápido. Sim, somos loucos...

Eu costumo achar que tenho todo o tempo do mundo, confesso. Mas existe uma grande ampulheta por aí, derramando areia sem piedade e mudando tudo, o tempo todo. 

No ano passado, me despedi de um amigo que foi para o outro lado. Assim, do nada. No dia em que soube que ele estava doente, soube também que ele tinha falecido. Acho que, aos 40 anos, ele também pensava que o tempo demoraria mais a passar. Como uma folha levada pelo vento, ele deixou amigos, familiares, lembranças, risadas. Foi o meu primeiro grande amigo a ir embora, e as lágrimas daquele dia tiveram o gosto agridoce da saudade. 

Antes dele e depois dele outras pessoas também morreram, é claro. Algumas famosas, outras nem tanto - depende do ponto de vista. Assim como o ponteiro, elas seguiram adiante, com destino a outros mundos, outros amigos, outras famílias, outros desafios. E enquanto tantas vão, outras tantas vêm, espalhando uma alegria que não se sabe bem de onde veio, mas que se tem a certeza de que está bem viva dentro de nós. 

Não posso dizer que 2015 foi um ano ruim, porque não foi. Foram muitos sábados estudando, muitos filmes assistidos, muitas matérias redigidas, muito amor compartilhado, muitos gols perdidos, muitas noites bem dormidas (e outras tantas que parecem nem ter existido), muitos livros lidos, muitas gostosas gargalhadas, muitos bons amigos...

Uma amiga muito querida, que por uma feliz 'coincidência' do destino é a minha professora de yoga, sempre diz que yoga é muito mais o que acontece fora do tapetinho do que o que aprendemos em aula. Yoga é um estilo de vida, um jeito diferenciado (e elevado) de encarar tudo o que acontece com os olhos da alma, com sabedoria. E é isso o que eu espero para o meu 2016, mesmo tendo descoberto há algumas horas que, infelizmente, talvez a yoga não faça mais parte do meu ano. 

Depois de cinco anos, é doloroso demais ter que sequer cogitar a ideia de deixar temporariamente de lado esta parte da minha vida que eu tanto amo. Mas se eu aprendi algo ao longo de todo este tempo é que nós devemos encarar as dificuldades com o peito aberto, de ombros abertos, olhando sempre para a frente. Encarando a vida de frente. E por mais que o barulho do tique-taque às vezes pareça ensurdecedor, toda a força que eu preciso está em mim. E isso basta. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Um dia você aprende que...

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Gratidão: juros da consciência
(Vítor Caruso)

Mais um ano está chegando ao fim e acho que é importante reconhecer as lições que pude aprender ao longo destes 12 meses. Vamos lá:

- Às vezes é preciso mudar para que a vida ganhe um novo sentido. Nosso dia a dia é uma caixinha de surpresas; imprevisível demais para nos apegarmos a situações ruins e sentimentos já ultrapassados apenas por ser mais cômodo manter as coisas como estão;

- A frase "o ano passou rápido demais" não pode ser uma desculpa para deixar para trás grandes amigos. Só percebemos o quanto sua companhia nos faz falta quando nos sentamos ao seu lado e relembramos o porquê de nos entendermos tão bem;

- Viajar expande horizontes e te coloca em contato com culturas e idiomas diferentes. Não há nada de errado nisso (principalmente se você viajar em classe executiva e puder dormir durante todo o voo); 

- As pessoas são diferentes e é preciso enfatizar mais suas qualidades do que seus defeitos. No fundo, todos lutamos pelas mesmas coisas: um trabalho digno, dinheiro suficiente para pagar as contas e garantir certo padrão de vida, amigos sinceros e amor correspondido; 

- Nunca estaremos completamente satisfeitos no trabalho. O salário talvez não seja dos melhores, mas me garante aquela entrada de R$ 25 no cinema (o que é um grande absurdo) e um ingresso de R$ 360 para o show do Bon Jovi. Porém, antes de tudo, é importante refletir: eu realmente faço aquilo que amo? É realmente inevitável se irritar com clientes e trabalhar sob pressão em 25 dos 30 dias de cada mês?

- Bons livros são nossos melhores amigos. Obrigada, J.J Benítez, por escrever os nove volumes de Operação Cavalo de Troia!

- Ter fé não significa ir para a igreja ou frequentar um centro espírita todas as semanas. Conversar com Deus antes de dormir, meditar, respeitar o próximo e saber agradecer pelas dádivas recebidas todos os dias já tornam o mundo um lugar muito mais agradável de se viver;  

- O amor é, de fato, o mais bonito dos sentimentos e pode, sim, por experiência própria, nascer a partir de uma bela amizade. Não há nada capaz de superar a cumplicidade, a gentileza, o carinho, a boa vontade ou um abraço apertado depois de um dia difícil. Amar é esquecer todos os problemas só de ver o outro sorrir;

- É extremamente importante saber perdoar e se colocar no lugar da outra pessoa quando as coisas fogem ao nosso controle. Infelizmente ainda somos egoístas demais e acreditamos que o mundo existe para nos servir. Se a dor for forte, experimente parar de falar sobre o assunto. O tempo cuida do resto;

- Verdadeiros amigos sempre reaparecem. É assim que Deus nos mostra quem são os protagonistas da nossa história;

- Deus não só escuta seus pedidos, como move céus e terras para atendê-lo do melhor modo possível. Experimente silenciar a mente e ouvi-Lo de vez em quando; 

- Baladas têm prazo de validade (e o meu já venceu). Nada contra música alta, mas estes lugares sugam nossa energia como um aspirador recolhe o pó acumulado debaixo da cama; 

- Pratique yoga e desfrute de seus maravilhosos efeitos colaterais. A yoga não só acalma a mente, como incentiva o autocontrole e a disciplina, características necessárias em qualquer momento de nossa vida;

- Ser tolerante vai muito além de concordar com o que a outra pessoa diz apenas para que ela fique quieta mais rápido (e esta é uma virtude que preciso desenvolver com urgência); 

- As coisas boas sempre se sobrepõem às ruins. Se você parar para pensar, tem muitos mais motivos para comemorar do que para se entristecer. É o que dizem: "quando uma porta se fecha, uma janela se abre" (é isso mesmo? não sei...). Se o ditado estiver certo, basta ter a coragem necessária para ir além do parapeito;

- Todos nós carregamos um "sexto sentido" que só precisa ser desabrochado;

- Acredite na sua intuição (e na intuição da sua mãe. Ela NUNCA erra);

- Como diria William Shakespeare, "não importa o quanto você se importa, algumas pessoas simplesmente não se importam". Isso significa que pessoas queridas vão te entristecer em algum momento - seja na aparente falta de interesse, no orgulho demasiado ou na displicência com que lidam com suas boas notícias. Nem todo mundo consegue, pelo menos por enquanto, ficar feliz pelas conquistas dos outros e é preciso saber compreender. Isso não significa que não gostem ou torçam por você;

- Tire fotos. As imagens têm o poder de gravar, para sempre, um cenário, um momento, um rosto. Por mais que a sua memória seja boa, alguns detalhes vão se perdendo naturalmente e é sempre gostoso sentir aquele friozinho na barriga ao ver uma foto e poder reviver determinada situação; 

- Faça aquilo que você realmente tem vontade. Nem todo mundo entende meu desejo de falar árabe, mas só eu sei a satisfação que me dá saber falar e escrever "eu gosto de ler histórias" ou "tenho fome" naquele idioma cujo alfabeto é, segundo minha avó, "cheio de desenhos". Somos movidos por desejos tão íntimos que talvez nem nós consigamos compreender, em um primeiro momento, a necessidade de satisfazê-los. 


Cante mais, cante errado ou cante fora do ritmo. Dance descontroladamente, aprenda a tocar um instrumento qualquer, leia gibis, assista a filmes ruins, ria de si mesmo, vá a parques de diversão, conte piadas, desenhe (ou ria dos seus desenhos, no meu caso), coma feijão com gelatina se quiser (e juro que tem quem queira e diga que é delicioso), faça simpatias, persiga seus sonhos, estude. Divirta-se, desapegue-se, acredite. Transforme-se e, junto com você, transforme todos que estiverem ao redor. A vida não tem hora marcada para acabar, então não é como se tivéssemos todo o tempo do mundo. 

Esta é a mensagem que deixo para 2014, que já bate à nossa porta com 365 oportunidades. Aproveite! :-)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

- quando foi que eu entrei pra sua história?

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A vida é uma coisa engraçada. Ontem peguei um caderno antigo e li partes de textos que eu mesma escrevi há três, quatro anos. Foi divertido relembrar situações já em partes esquecidas, mas, além do alto nível de drama em quase tudo o que continha a minha letra, fiquei feliz por perceber que eu mesma não mudei com o tempo.

 É claro que desenvolvi umas poucas qualidades a mais e, digamos, consegui aperfeiçoar alguns defeitos, mas a essência permanece intacta, assim como as principais pessoas com as quais me relacionei ao longo dos anos.

Fiquei com pena de mim mesma ao ver quantas horas perdi escrevendo sobre queridos e queridas que simplesmente não valiam a pena, mas hoje sei da importância dessas dificuldades e consigo olhar pra trás sem sentir vontade de fazer grandes alterações. Em meio a cartas e cartões recebidos nestas 23 primaveras, percebi que a maior parte dos destinatários continua ao meu lado, enquanto outros não foram além das palavras, ainda que seu eco até seja gostoso de se ouvir de vez em quando...

As situações mudaram e, é claro, parte de mim se deixou transformar com elas. Mesmo assim, sempre fico com a sensação de que o tempo é, sim, capaz de superar tudo e de que não importa quantos séculos passem e quantas vezes o cenário mude: os personagens sempre serão os mesmos, ainda que com papeis diversos. Ainda bem! Não imagino minha história, em qualquer época que seja, escrita por mãos diferentes. Nada mais lógico, afinal... tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. :)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

maktub


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♫ Tempo, tempo, tempo, tempo... és um dos deuses mais lindos... ♪

Apesar de o ano ainda não ter chegado ao fim, esta época é sempre propícia para qualquer tipo de reflexão. O que fiz nesses últimos 12 meses? Quantos sonhos realizei? Quantos corações parti? Quantos caminhos percorri? Quantas pessoas deixei para trás?

Não sei responder a nenhuma dessas perguntas com exatidão, mas posso dizer que trabalhei, que dancei, que sorri, que chorei, que vivi, que sofri. Vi minha irmã se casar, embarquei e desembarquei, pisei na areia e deixei o mar levar pra longe todas as preocupações. Dormi tarde, acordei cedo, tomei chuva, afundei o pé na lama e depois lavei pra deixar branquinho. 

Fui ao cinema, andei de bicicleta, fiz yoga, ganhei no bingo. Vi pessoas queridas se afastarem lentamente, perdendo-se na névoa do passado, e o destino se encarregar de colocar mais uma vez na minha vida grandes amigos, desenhando, assim, um futuro muito mais feliz. Fui ao karaokê, brinquei de amigo secreto, joguei bola, aproveitei a piscina. Passei frio, calor, nervoso e ansiedade. Tive saudade, tive medo, tive vontade e tive esperança. Li, escrevi, falei, desprendi. 

Vi o Corinthians conquistar o mundo no Japão e, do lado de cá do planeta, empatar com a Portuguesa em pleno Pacaembu. Fui anfitriã, hóspede, turista, assessora de imprensa, conselheira, ovelha negra. Perdi tempo com besteira e depois desejei poder voltar e fazer tudo de novo. Chorei de saudade na plataforma do trem e no check-in do aeroporto e aprendi que as pessoas não mudam só por estarem longe dos nossos olhos. 

Gastei dinheiro, cortei o cabelo, abusei da comida e descobri que não tenho vocação alguma para o videogame. Ri até perder o fôlego, passei raiva com o metrô, fiquei de mau e fiz as pazes com o Universo. Senti alívio, tive sonhos misteriosos e sobrevivi a um suposto fim do mundo. Descobri que para se curar de alguma coisa não é preciso mais do que energia e consciência tranquila e que afinidade é uma sensação inconfundível, intransferível e que, quando ausente, consegue deixar um coração inteiro em branco.    

Procurei fotos antigas (e outras não tão antigas assim) só pra viver de novo aquele momento e me perder nos mesmos sorrisos. Descobri que a ajuda às vezes vem de quem você menos espera e que, apesar de doloroso em alguns casos, é preciso praticar o desapego com tudo o que nos cerca: roupas, amigos, amores, sentimentos, lembranças...

Vi mais televisão do que devia, me envolvi mais do que podia e comprovei o que todos já sabiam: aprender árabe não é pra qualquer um! Reclamei do árbitro, gritei com os vizinhos (hihihi) e, vale dizer, não fui nada paciente. Descobri - ou melhor, redescobri - que as palavras têm mais força do que imaginamos e que - céus! - o pensamento vai ainda além.

Agitado, intenso, confuso e imprevisível, 2012 foi, antes de tudo, uma bênção. Chuqran!

domingo, 29 de abril de 2012

salaam aleikum

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"Meu coração e meus cinco sentidos se achavam a quatro metros de mim mesmo: na figura daquele homem de mais de um metro e oitenta de estatura que ali estava agora, encurvado e maltratado." 



Aproveito este tranquilo domingo, 29 de abril, para escrever sobre algo que verdadeiramente mexeu comigo. Terminei, há algumas semanas, a leitura do primeiro volume da coleção Operação Cavalo de Troia. O que começou como mera curiosidade - iniciada anos atrás, quando via o livro entre as coisas da minha mãe -  se mostrou uma verdadeira fonte de prazer e conhecimento.

Para aqueles que não sabem sobre o que é a história, trata-se de um suposto projeto da Nasa, executado na década de 1970, responsável por levar dois militares norte-americanos ao passado. Mais especificamente, à última semana de Jesus Cristo na Terra, na Palestina de dois mil anos atrás. 

A expedição se desenrola a partir de um diário escrito pelo major, que percorreu as ruas da Palestina à procura de Cristo, seus apóstolos e amigos, assim como dos demais personagens que figuram na Bíblia. Cético, o militar foi escolhido, dentre um numeroso grupo de oficiais dos Estados Unidos, justamente por sua falta de crença e desapego a qualquer religião. 

Ao chegar, rapidamente ganha a confiança e a amizade de Lázaro, homem a quem Jesus tinha ressuscitado poucos dias antes, e sua família. E é na presença destas pessoas que o major se encontra com o Mestre pela primeira vez. Mesmo rodeado por muitas pessoas, Cristo se levanta e caminha até sua direção, colocando Suas mãos em seus ombros e dizendo "Sê bem-vindo" com um sorriso. Após este primeiro contato, o militar confessa ter sentido todo o seu corpo trêmulo, indicando a enorme força energética que  emanava daquele Homem.

Com o passar dos dias, o oficial se mantém lado a lado com o Rabi da Galileia, ouvindo Seus ensinamentos e desvendando alguns mistérios de sua fascinante personalidade. Cada vez mais atraído por tudo o que Ele diz, o major vai deixando sua descrença para trás, abrindo espaço para uma fé jamais imaginada. Sua mente, antes dominada pela ciência, passa a concordar com cada palavra dita pelo Mestre e seu coração indica um desejo ardente de acompanhá-Lo a qualquer lugar.

Munido com a mais alta tecnologia, o que lhe permite gravar, analisar e recolher dados do passado para, depois, examiná-los em "seu tempo", o norte-americano tem como um dos objetivos de sua missão a triste tarefa de ficar próximo ao Cristo também no momento de sua captura, julgamento e crucificação, verificando - até perto demais - todo o Seu sofrimento. 

Exercitando toda a parcialidade da qual tenho direito, considero este livro como um dos mais tristes do mundo. É impossível não se deixar abater pelas torturas e pela injustiça que o Rabi sofreu. Mais difícil ainda é imaginar uma legião de pessoas torcendo pela morte de alguém cujo pecado foi pregar o bem e a paz. 

É claro que o livro é muito mais complexo e emocionante do que este simples resumo que escrevi. Também tenho perfeita noção da possibilidade de que nada disso tenha acontecido, sendo fruto apenas da rica imaginação de um escritor espanhol. Ainda assim, sinto-me na obrigação de partilhar com vocês o meu desejo de acreditar nesta incrível experiência. Por quê? Porque acreditando em sua veracidade, é como se eu também estivesse perto Dele. É como se eu também estivesse presente em todas as suas pregações e, a partir disto, pudesse usar seus conceitos e parábolas em meu próprio benefício.

Desde que li a última página do livro, me pego pensando Nele e em todas as Suas grandes ações. Será que, hoje, as pessoas saberiam compreendê-Lo? Como seria abraçá-Lo ou ouvi-Lo falar? Todas as noites, antes de cair no sono, peço a Deus que me deixe sonhar com Ele. Só um pouquinho. Só pra matar a saudade.

"E pelas três horas e trinta minutos, depois de beijar o solo rochoso da cripta, deixei o horto de José de Arimateia. Os soldados da Fortaleza Antônia ali continuavam, desmaiados, como testemunhas mudas da mais formidável notícia: a ressurreição do Filho do Homem.

Pelas cinco horas e quarenta e dois minutos daquele domingo de glória, 9 de abril do ano 30 de nossa era, o módulo decolou ao nascer do Sol. Ao voltarmos para o futuro, uma parte do meu coração ficou para sempre naquele tempo e naquele Homem, a quem chamam  Jesus de Nazaré. "

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A gente quer ser forte pra quem?



And I'm gonna miss you
Like a child misses their blanket
But I've gotta to get a move on with my life
It's time to be a big girl now
And big girls don't cry

(Fergie - Big girls don't cry)



A minha irmã, hoje, tornou-se uma mulher casada. Uma senhora de respeito, como disse a minha avó, em tom de brincadeira, durante a festa de comemoração. Foram pouco mais de dois anos de noivado e dias incansáveis, mas finitos, de preocupação com o apartamento que parecia que nunca ficaria pronto. Eram móveis entregues nas datas erradas, demora por parte dos pedreiros, sábados perdidos nas lojas de Pinheiros e do shopping D, rios e rios de dinheiro que voaram pelos ares na mesma velocidade com que o Corinthians toma gol em jogo válido pela Libertadores.

Ela e o noivo, oficialmente transformado em meu cunhado, batalharam bastante para conseguir pintar cada parede, preencher com piso cada quarto e seguir em frente, mesmo que uma série de problemas insistisse em aparecer pelo caminho. De janeiro de 2010 para cá, muita coisa mudou para melhor, especialmente no que diz respeito à vida profissional de ambos. Afinal, se é pra algo dar certo, não tem jeito, como a minha mãe costuma dizer.

Sendo o mais sincera possível, fiquei muito feliz pelo casamento, muito embora eu admita, com lágrimas nos olhos, que eu vá morrer de saudade de conversar e rir e chorar e imitar desenhos da Disney com ela antes de dormir. Não sei como vai ser não a ver mais sentada no sofá, jantando em frente a televisão, ou ouvi-la contando sobre o dia enquanto toma banho e sempre se impressionar com o fato de que, não importa o quão irritada ela esteja, alguma parte da história sempre vai ser engraçada.

São 21 anos e quase dois meses de convivência diária, de divisão de quarto, mesmo, então eu acredito que essa saudade seja saudável, necessária até. Ainda assim, o meu lado capricorniano e orgulhoso - talvez seja esta a palavra - não me permitiu sofrer na frente de ninguém, o que me faz perguntar, pela trigésima oitava vez apenas neste ano: a gente quer se mostrar forte pra quem?

Eu tenho este sério problema de esperar todos dormirem ou me trancar no banheiro para deixar a tristeza molhar meu rosto. Por quê? Boa pergunta. Será que se a gente manifestasse mais frequentemente as nossas emoções as coisas não seriam mais simples ou, ao menos, pareceriam menos importantes? Há de se concordar que chorar, sentado de frente para o vaso sanitário e sufocando os soluços com as mãos, é algo desolador, senão terrivelmente solitário. Ser consolado não é bom? Esta resposta eu tiro de letra, pois a pessoa que mais fez isto comigo foi a minha irmã. A Bibi. A Bi. A Bri. A Bika. A imitadora-oficial-de-todas-as-falas-de-todos-os-desenhos-do-mundo.

Aproveito para deixar aqui meus parabéns e pedir pra Deus cuidar de vocês bem direitinho, do mesmo jeito que Ele vem fazendo ao longo de todos esses anos. Eu te amo, Bi. Você esteve comigo nos melhores e nos piores momentos desta minha vida recheada de altos, mas de inúmeros baixos também. O fato de que, agora, você mora em um outro lugar não me faz duvidar, de forma alguma, que esta parceria ainda vai longe, tão longe que nem todas as reencarnações do mundo poderão anular. Ou mudar. Ou sequer chegar próximo disto. Mazal tov!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

- de agora em diante


O paraíso terreno está onde eu estou.
(Voltaire)



Mais cedo ou mais tarde, todas as pessoas vão passar por fases ruins. É o emprego que não chega, o príncipe que não dá as caras, o tempo que passa rápido demais, a saúde que fraqueja. Há dias em que parece que a gente carrega o mundo nas costas. E parece que ninguém percebe.

Como humanos, nós estamos suscetíveis aos mais variados tipos de problemas e imprevistos. Constantemente. Eles estão aí, à espreita, para que nós possamos aprender lições valiosas, o que talvez não acontecesse se nossa vida fosse um mar de rosas.

Perder um ente querido pode nos mostrar a importância do momento presente. Do agora. Pode nos estimular a pedirmos desculpas, a demonstrarmos afeto, a pararmos com essa mania de Scarlett O'Hara (de "E o vento levou...") de deixarmos para nos preocupar com um problema amanhã e só amanhã. Bobagem. O amanhã não pode ser encarado como uma certeza embrulhada em papel colorido. O amanhã talvez exista. Talvez não. Quem sabe? O seu problema de hoje talvez tenha uma solução muito mais simples do que você possa imaginar. O que não te deixa dormir hoje talvez esteja relacionado com algo bom, que fará toda a diferença no seu futuro. Vale a pena deixar para resolver isso mais tarde? Mês que vem, será?

Saber que o seu organismo abriga uma doença grave pode ser um impulso para que, a partir de hoje, você se transforme em uma pessoa melhor, independente de quanto tempo ainda reste a você. Já repararam que os filmes que mais tocam as pessoas são aqueles em que as personagens caem na real e percebem o quanto estavam desperdiçando seus dias, relíquias tão preciosas? Por que todo mundo chora assistindo Marley & Eu? Salvo raras exceções - e, a bem dizer, eu não conheço nenhuma -, ninguém gosta de pensar na efemeridade da vida. Nem que seja da vida de um cachorro. Depois de sair do cinema, dá vontade de corrermos pra casa e abraçarmos nosso bichinho de estimação, só pra mostrarmos pra ele o quanto gostamos dele, o quanto ele é importante na vida da gente. Não é assim?

Ter dificuldades para se relacionar com alguém pode ser suficiente para que o cidadão abra os olhos e perceba que o problema não está nas outras quase 7 bilhões de pessoas. Nem todos os livros de autoajuda do mundo são capazes de ajudar alguém que seja incapaz de mudar. Mudar não só pelo outro, não. Mudar por si mesmo. A gente primeiro cuida do nosso jardim; as borboletas vêm depois. Conheço muita gente por aí que tem medo de mudanças. Medo do desconhecido, medo do burburinho que isto possa gerar. Se o que você enxerga na frente do espelho te deixa feliz, o que o resto do mundo tem a ver com isso? Se você consegue encostar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente durante a noite, não há maldade que te atinja. Se você consegue sorrir para a garçonete e agradecer o suco sem açúcar que ela te trouxe, não há alguém que resista. Não há nada mais bonito. Gentileza nunca é demais.

O planeta agradece por cada boa ação que você fizer. É um ciclo. É involuntário. É contagiante. Você se sente bem por ajudar alguém, alguém se sente bem por ser ajudado por você. Não custa nada. Além disso, lá de cima, sempre existe alguém que te observa. Que te dá forças. Que te protege. Se as coisas parecerem difíceis, peça ajuda. Mentalize ajuda. Ofereça ajuda. E reze. Reze muito. Reze por você, pela sua família, pelo mundo.

Fica a minha sugestão:

Oração a Maria

Meiga filha do Eterno Pai, amparai aos que peregrinam os rincões inferiores da vida, para que neles aflore o desejo de Conhecimento, Certeza e Bondade, deixando de parte as idolatrias, os paganismos, os ritualismos e todas as formas inferiores de culto espiritual.


Anjo tutelar das legiões que socorrem nas trevas e nos lugares de dor, atendei ao clamor daqueles que, arrependidos, anseiam reencontrar o Caminho da Verdade que livra.

Doce Mensageira do Amor, derramai vossa ternura maternal sobre os corações aflitos, para que se elevem às alturas do trabalho redentor.


Senhora Eleita, inspirai o sentimento da Verdade, do Amor e da Virtude nos corações de todos aqueles que tendem aos desatinos do mundo, para que não desçam aos lugares de pranto e ranger dos dentes.

Levantai, ó Senhora, dos abismos tenebrosos, a todos quantos erraram por causa dos fanatismos religiosos.

Intercedei, ó meiga estrela, por aqueles que, esquecidos da Lei e olvidados de Jesus Cristo, mergulharam nos lugares de sombra e de dor.

Ó ternura, ponde sentimento de pureza em todos os corações femininos, para que se convertam em verdadeiros anjos guardiães.

Sede a luz, ó Maria, daqueles olhos que não podem ver.

Amparai, ó Senhora, aos que fraquejam ao longo dos caminhos da vida.

Ouvi, ó Símbolo das Mães, a voz dos que não podem falar.

Enxugai a lágrima, ó meiga irmã, daqueles que padecem falta de misericórdia.

Dominadora de paixões, sede o anjo guardião daqueles que temem resvalar nas vielas do pecado.

Consoladora dos aflitos, ungi com o Bálsamo do Amor aos que se encontram de coração angustiado.

Guiai os passos, ó doce amiga, dos que tendem a desanimar em face das torturas do mundo.

Depositai, ó Maria, em todos os corações, o sentimento de igualdade perante as leis que regem o Universo infinito.

Conduzi ao pórtico da Verdade, ó candura, a quem se encontrar perambulando pelos caminhos da inverdade e do crime.

Envolvei com o vosso azulino manto, ó Maria, a todos aqueles que procuram as verdades eternas, perfeitas e imutáveis de Deus, através da Divina Modelagem de Jesus Cristo.

Apontai, ó luminosa estrela, ao Testamento da Moral, do Amor, da Revelação, da Sabedoria e da Virtude, para que todos os filhos do Altíssimo encontrem, de uma vez para sempre, os braços abertos do Divino Amigo.